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Mas afinal, qual o papel do maestro?
Personagem comum em desenhos animados e filmes
humorísticos, tipo "sessão Pastelão", o regente -
ou maestro, nome italiano pelo qual é mais conhecido -, é
um profissional pouco compreendido. Muitos se perguntam para que serve
aquela figura de casaca gesticulando na frente de um grupo de músicos
que mal parece dar-lhe atenção.
Outras perguntas se originam da mesma incompreensão:
1. Se os músicos conhecem a música e têm a partitura então, para que é preciso um condutor?
2. Para que serve aquele "pauzinho" sacudido por ele o tempo todo?
3. Por que ele é o mais aplaudido quando o concerto acaba se ele não tocou nada?
Respondendo a estas pergunta podemos entender um pouco mais esta figura quase folclórica e desfazer alguns conceitos equivocados.
Resposta 1: De fato, a partitura contém todas as indicações necessárias para se tocar as notas da música. Entretanto, não devemos confundir a música com as notas que a compõem.
Quando comparamos uma mesma música executada por dois cantores ou instrumentistas diferentes podemos diferenciar a interpretação que cada um empresta à obra. A interpretação é uma espécie de marca pessoal que torna a execução única e caracteriza o artista naquele momento. Nesse caso, seria correto dizer que o maestro "toca a orquestra", isto é, ele unifica o conjunto dos intérpretes em uma única expressão, aquela que ele entende como a mais adequada ao contexto.
Resposta 2: O "pauzinho" empregado algumas vezes pelo maestro, cuja utilização não é obrigatória, chama-se batuta e tem sua origem remota nos rolos de partitura com que o regente marcava o tempo da música para todos os membros das antigas orquestras. Esta primeira versão de maestro tinha também a responsabilidade de tocar, ao cravo ou ao órgão, o acompanhamento da música. Assim, ele tinha que usar a mão esquerda para tocar enquanto regia com a direita, numa performance bastante desconfortável.
Para resolver este problema, e também por causa da complexidade crescente da tarefa de dirigir uma execução à medida que as músicas foram se tornando mais ricas e expressivas, o regente ganhou uma função especializada que o destaca do grupo de intérpretes.
Já a batuta, extensão da ponta de seus dedos, diminuiu em tamanho, mas, ganhou um forte significado: mais do que um objeto, a batuta é um símbolo da função, da responsabilidade e do poder que o maestro tem sobre a orquestra ou coral.
Resposta 3: Conceber uma interpretação para um repertório musical de várias horas, ser capaz de comunicar suas intenções com autoridade ao grupo de músicos e concentrar-se a ponto de antecipar todas as entradas individuais dos executantes, são apenas algumas das habilidades exigidas de um bom maestro.
Para tanto, ser maestro requer anos de estudo, dedicação, bom preparo físico e mental, audição acurada e personalidade carismática, o que não é exatamente muito comum. Afinal, o grupo não só responde de acordo com sua capacidade técnica, mas também, conforme o respeito com que acolhe a autoridade do regente.
Num curso regular superior são necessários de cinco a seis anos para formar um regente, tempo para alguém se formar como médico. Assim, o ingresso em um curso de Composição e Regência, normalmente as duas áreas estão ligadas, já pressupõe uma sólida formação musical prévia.
Por outro lado, embora vários maestros
sejam bons instrumentistas e compositores, a proficiência em tocar
e compor não é um pré-requisito para uma atuação
competente. As funções de um regente são especializadas
e requerem habilidades específicas, dominadas com dificuldade por
um único artista.
VOCÊ SABIA…
· Que as formações instrumentais clássicas podem ser classificadas de acordo com o número de componentes em Solo, Duo, Trio, Quarteto, Quinteto, Sexteto, Septeto, Octeto e Noneto? · Que acima de 09 componentes, e até 20, o grupo pode ser considerado uma Orquestra de Câmara ou Cameratta? · Que grupos maiores, chegando normalmente
a centenas de componentes - desde que possuam instrumentos de todas as
famílias: cordas, sopros e percussão -, são considerados
Orquestras Sinfônicas ou Filarmônicas?
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